Alguma coisa acontece no PMDB. A declaração de Henrique Eduardo Alves em Mossoró, admitindo ser candidato ao governo dentro de uma forte coalizão, não deve ser recebida como palavras jogadas ao vento.
Do alto de seus 81 anos de vida, Agnelo Alves, tio do presidente da Câmara dos Deputados, me dizia ontem (21) que Henrique não poderia ficar na posição de dizer que não é candidato.
Na opinião de Agnelo, o "candidato do PMDB se chama Henrique Eduardo Alves". E esta é a opinião de muitos observadores da cena político no Estado. Em recente encontro familiar, Agnelo chegou a dizer para o sobrinho: "Assume logo essa candidatura, Henrique".
O presidente da Câmara dos Deputados apenas sorriu com cara de quem esconde alguma coisa.
Henrique Alves pode esconder sua estratégia para os incautos ou desavisados, mas para o tio Agnelo, duvido.
A entrevista que Agnelo Alves me concedeu ontem no RN Acontece da Band deixou muita coisa no ar. O pedetista não dá ponto sem nó. Ontem, ele estava querendo mandar recados e apontar caminhos.
Além de reafirmar que Carlos Eduardo Alves não será candidato ao governo nas eleições deste ano, o deputado estadual deixou claro que o PDT vai caminhar com o PMDB. E espera o candidato do PMDB ao governo.
Agnelo Alves foi elegante com Fernando Bezerra, mas estranhou que o empresário não tenha unido o PMDB em torno de seu nome ao governo.
"Dentro do PMDB, Henrique é o nome preferido de todos. Falam no nome de Fernando Bezerra. Garibaldi disse que o candidato pode ser Fernando. Henrique também. Mas não vi um vereador do PMDB, um deputado do PMDB, um prefeito do PMDB dizer que apoia Fernando Bezerra. Está faltando alguma coisa", disse Agnelo.
A verdade é que Henrique Eduardo Alves prefere permanecer em Brasília, ocupando a Presidência da Câmara dos Deputados, como segundo homem da linha de sucessão da Presidência da República, na cúpula do poder político nacional. O deputado vive seu melhor momento na capital federal.
Mas Henrique não pode deixar de considerar que a eleição estadual deste ano pode ser sua única chance de chegar ao Governo do Rio Grande do Norte, sonho antigo dele e do pai Aluízio Alves.
Agora, Henrique só será candidato ao governo se costurar uma ampla coalização de partidos que reduza, o máximo possível, o risco de derrota. Afinal, Henrique perdeu as duas eleições em que disputou um cargo majoritário - a Prefeitura de Natal.
Não quero colocar o carro na frente dos bois, mas se Henrique for candidato ao governo, provavelmente, Wilma de Faria será a companheira dele na disputa pelo Senado. Por um motivo muito simples: Henrique não quer correr riscos. O PT terá de cantar em outra freguesia.

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