2 de janeiro de 2010

A LOCOMOTIVA DO CRACK

A DROGA SE ALASTRA PELO PAÍS PELA FACILIDADE COM QUE PODE SER PREPARADA, VENDIDA E CONSUMIDA


O aumento da produção de coca na Bolívia, o preço baixo e a facilidade para preparar e comercializar transformaram o crack em uma das drogas mais populares no país e num dos mais sérios problemas de saúde pública.

O negócio com o crack passou a ser rentável com o volume de drogas que chega principalmente da Bolívia, onde os plantios cresceram 6% no último ano, chegando a 30,5 mil hectares, segundo o relatório deste ano da Organização das Nações Unidas (ONU). Do total, 19 mil hectares são para consumo tradicional da população, que usa a folha da coca inclusive na fabricação de refrigerantes e remédios. O restante, conforme autoridades policiais brasileiras, destina-se a plantações usadas para abastecer o narcotráfico.

Hoje, grande parte da cocaína que chega ao Brasil é em forma de pasta base, matéria prima para a fabricação do crack.Por viciar mais rápido do que outras drogas e devido ao preço baixo, já existem quadrilhas especialistas em fabricação e distribuição da droga no Brasil. “Quem fuma crack tem uma pancada forte, mas que dilui muito rapidamente. Isso estimula a pessoa a fumar mais”, afirma o perito Adriano Otávio Maldaner, chefe de Serviço de Perícia e Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.

Até agora, foram desbaratados três grupos: em Itabira (MG), no Recife (PE) – que recebia o produto de São Paulo – e em Pelotas (RS), que comercializava pelo menos 100kg da droga por mês. Somente nesses casos, calcula-se que pelo menos 5 milhões de pedra deixaram de circular pelo país. Porém, em todos os estados foi registrado aumento nas apreensões. Ou seja, a circulação do crack cresceu.

O crack se espalha pelo país pela facilidade de fabricação em laboratórios caseiros, todos rústicos – até simples baldes são usados para misturar a pasta base com permanganato de potássio e amoníaco. Depois, basta colocar no fogo para formar a pedra. “A fabricação ocorre em todos os lugares, até mesmo no quarto dos fundos de um apartamento”, diz o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea. Ironicamente, o aumento do crack também foi ocasionado por uma política adotada pelo Brasil em relação aos países vizinhos produtores de coca: a proibição de produtos químicos. Com isso, o refino da pasta é feito diretamente em território brasileiro.

ORGANOGRAMA DO TRÁFICO

A cadeia do narcotráfico tem pelo menos quatro etapas, que vão dos plantios até a distribuição pelas cidades. Todos seus integrantes têm funções específicas, variando apenas os nomes.

Primeira fase

Nos plantios trabalham pelo menos seis tipos de pessoas com funções diferentes.

São as seguintes:

Lavrador: encarregado pelo plantio, cultivo e colheita da folha de coca

Fiscal: É a pessoa encarregada pelo suporte ao lavrador

Peão: Responsável pelos serviços braçais na lavoura de coca

Aviador: Quem financia os insumos agrícolas

Varador: transporta as folhas

Vigia: Faz a segurança dos plantios

Segunda fase

Quando começa os trabalhos de refino da cocaína, muitas vezes ainda nos plantios.

Pisoteiro: É o encarregado pela fabricação da pasta base

Administrador: É o chefe do laboratório

Cargueiro: Pessoa encarregada pelo transporte da pasta base

Agenciador: Faz os contatos com os compradores

Guarda: Encarregado pela segurança

Tanqueiro: Quem fornece suporte financeiro ao laboratório

Terceira fase

É quando a pasta base de cocaína passa pelo seu processo de transformação, onde:

Fabricante: É praticamente o dono do laboratório

Administrador: Pessoa que gerencia os locais

Cozinheiro: Encarregado pelo rpocesso químico

Obreiro: É quem faz os trabalhos braçais

Maleiro: Quem embala a droga

Provedor: Encarregado pelo financiamento

Quarta fase

É quando a cocaína já está em fase de comercialização, seja em grandes ou pequenas quantidades.

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